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A história de como a biologia justificou o racismo

Comparação de crânios entre primatas; argumentando no sentido de aumento da inteligência  | Jornal El País O conceito de raça e a comunidade científica tiveram uma importância histórica significativa no período entre os séculos XV e XX, principalmente como mecanismos de justificação da escravidão e do racismo estrutural. As opressões diversas direcionadas aos povos não brancos eram fundamentadas pela hierarquização racial construída por teorias científicas. Tais teorias inferiorizavam povos indígenas, africanos e outros grupos étnicos não europeus, no sentido de fundamentar todo um paradigma imperialista, dominador e colonizador. João Felipe Marques em um artigo destaca que após a saída da Idade Média o conceito de raça passou a tentar responder à pergunta: quem são os outros, estes recém-descobertos tão diferentes dos ocidentais? Quem são esses seres que parecem fisicamente conosco mas vivem de uma maneira diferente? Será que são da nossa espécie? Será que são inteli...

Pesquisando a inteligência - não devemos temer o passado

  O que é inteligência? Você já parou realmente para pensar nisso? A maior parte do que nós sabemos sobre inteligência está errada. Esse é o consenso entre cientistas cognitivos que pesquisam sobre aspectos da inteligência humana e animal. A pesquisa e o ensino em inteligência devem ser reformulados para que possamos de fato entendê-la. A inteligência é definida no dicionário Aurélio como “ Conjunto de todas as faculdades intelectuais (memória, imaginação, juízo, raciocínio, abstração e concepção) .” Note que a definição engloba diversas habilidades cognitivas conhecidas, na psicologia, como funções executivas , que seriam atividades, por assim dizer, mais humanas. Apesar de termos um entendimento razoável a respeito da inteligência, a pesquisa nessa área ainda está caminhando a passos curtos devido a alguns problemas, principalmente de cunho histórico, social e acadêmico. É o que foi discutido num editorial da revista Nature do mês passado, intitulado “ Intelligence r...

A Sexta Extinção

Texto por: Bruno Hech Dominski, João Victor Krüger e Kathleen Yasmin de Almeida Quando se fala em extinção, o que vem na sua cabeça?      Você pode pensar em espécies-bandeira da conservação, como mico-leão-dourado e onça-pintada, ou então nos famosos dinossauros, que são parte do nosso cotidiano desde apelos cinematográficos até iconografias na moda, brinquedos... O ponto é que esse é um conceito apresentado para nós desde cedo, uma criança com sua pelúcia de T-rex tem noção que esse animal não existe porque foi extinto, seja lá o que isso signifique.     Na história da Terra ocorreram 5 grandes extinções, com causas variadas,  desde erupções vulcânicas até meteoros atingindo o planeta. Mas o que está em debate hoje em dia é a existência de uma sexta extinção em massa, que ocorre, veja só, atualmente e por culpa do homem.     Para saber se o que o homem provocou e provoca pode ser considerado uma extinção em massa, foi feito um trab...

Pegadas de Laetoli: um passo na evolução humana

Texto por: Eduarda Muccini, Maysa Almeida e Gabriela Oms     O que é evolução humana? Evolução nada mais é do que um processo lento de alterações físicas e comportamentais, ou seja, os organismos partem um ser mais simples que ao passar do tempo sofre modificações. Processos esses, que todos os seres vivos passam, desde nós seres humanos até as plantas. Porém, existe um pensamento acerca desse tema que muitas vezes gera mais questionamentos as pessoas que pouco conhecimento possuem nesta área. Quando você para e pensa sobre a evolução humana, que imagem vem a sua cabeça? A maioria das pessoas imagina aquela imagem que parte de um “macaco” quadrúpede que ao passar do tempo vai se erguendo até chegar em um humano ereto, com pouco pelo e bípede. Esse pensamento está completamente errado!  Diagrama comumente usado, porém não é correto. Fonte: web .     Hoje já é comprovado que algumas espécies de hominídeos coexistiram juntas, como Homo sapiens ...

A megafauna brasileira do Pleistoceno

Texto por: Geisel Oliveira e Luciana Ingrid Farias     Na época geológica chamada de Pleistoceno, viviam aqui no Brasil, um conjunto de animais de grande porte (mais de 44kg), que hoje são denominamos de megafauna do Pleistoceno. Essa época durou aproximadamente de 2,5 milhões de anos até 11 mil anos atrás e foi marcada por uma grande instabilidade climática.  Por milhões de anos, as faunas da América do Sul e da América do Norte tiveram caminhos evolutivos independentes até que, há aproximadamente 3 milhões de anos, ocorreu a formação do istmo do Panamá. Este evento possibilitou a imigração de espécies entre as Américas do Sul e do Norte. Chamamos este marco de O Grande Intercâmbio Americano (Figura 2) e é essa fauna já “misturada” que viveu aqui no Pleistoceno. Figura 1 . Representação da Megafauna de mamíferos do Pleistoceno. Preguiça gigante Eremotherium laurillardi (A); Tigre dente de Sabre Smilodon populator (B); Urso Arcthotherium wingei (C); Seme...

"A Era do Gelo" sob o olhar de um paleontólogo

Texto por:  Sophia Cassol, Thais Macedo e Vivian Fragoso     A “Era do Gelo” é uma animação fictícia, no entanto inspirada na realidade. Muitas crianças (e até adultos) talvez não saibam que um dia a Terra já foi como mostra o filme. Na verdade, a Terra passou por muitos momentos em que estava bastante coberta por gelo. Períodos longos com temperatura média baixa são conhecidos como glaciações. Ao longo da história geológica quatro glaciações foram registradas: Glaciações Paleoproterozóicas (2,3 bilhões de anos), Glaciações Neoproterozóicas (cerca de 700 milhões de anos), Glaciações Paleozóicas (400 a 200 milhões de anos) e Glaciações Quaternárias (2,5 milhões a 10.000 anos), da qual faz parte a glaciação do final do Pleistoceno.     A Era do Gelo, ou glaciação do final do Pleistoceno, foi a última glaciação da Terra. Nesta época, grupos de animais atuais já existiam, incluindo os humanos. Os protagonistas da “Era do Gelo” fazem parte de grupos bastante ...

Gigantes pré-históricos: revisitando grandes fósseis

Texto por: Bruno Tavares, Maria Eduarda de Melo Vieira e Matheus D’avila Schmitt     Paleontólogos são os profissionais que estudam os fósseis - que nada mais são que restos ou vestígios de seres vivos deixados nas rochas. Dentre muitos registros de animais antigos que se têm os fósseis gigantes sempre chamam muito a atenção e despertam curiosidade de quem os vê. Sendo assim, falaremos um pouquinho de alguns deles.     A vida começou a deixar os mares e invadir a terra na Era Paleozoica - Período Siluriano, quando ocorreram então os primeiros registros fósseis de plantas e artrópodes terrestres. Dentro do grupo dos artrópodes, os insetos tiveram sua origem no Período Devoniano e diversificaram-se em mais grupos (como “libélulas” e “lacraias”) no Carbonífero.     Nos períodos finais da Era Paleozoica - Carbonífero e Permiano, há um notável registro fossilífero referente aos insetos que habitavam o planeta em tal época. Se compararmos esses fóssei...