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Mostrando postagens com o rótulo Hugo

Afinal de contas, a maconha mata neurônios?

A maconha, o baseado, a verdinha, ou como quiser chamar, é uma droga consumida pela nossa espécie há pelo menos 12.000 anos, os antigos chineses possuíam a planta em sua farmacopeia (conjunto de substâncias com uso terapêutico) há pelo menos 4.700 anos atrás . A maconha pode ser obtida da planta Cannabis sativa ou de sua “irmã”, chamada Cannabis indica, e consiste em folhas e flores secas que são fumadas ou ingeridas. A despeito dos efeitos visíveis amplamente conhecidos, como humor alterado, fome excessiva, ou “larica”, psicoses e relaxamento, seus efeitos sobre o sistema nervoso humano não são tão familiares para a população leiga, e são comuns os textos trazendo fatos suspeitos a respeito da maconha, tanto entre os defensores quanto entre os perseguidores da erva. Mas o que a ciência tem a nos dizer a respeito do tema?  O estudo dos componentes da maconha começou oficialmente em 1964, quando um grupo de pesquisadores de Israel, liderado pelo químico Raphael Mechoula...

Pesquisando a inteligência - não devemos temer o passado

  O que é inteligência? Você já parou realmente para pensar nisso? A maior parte do que nós sabemos sobre inteligência está errada. Esse é o consenso entre cientistas cognitivos que pesquisam sobre aspectos da inteligência humana e animal. A pesquisa e o ensino em inteligência devem ser reformulados para que possamos de fato entendê-la. A inteligência é definida no dicionário Aurélio como “ Conjunto de todas as faculdades intelectuais (memória, imaginação, juízo, raciocínio, abstração e concepção) .” Note que a definição engloba diversas habilidades cognitivas conhecidas, na psicologia, como funções executivas , que seriam atividades, por assim dizer, mais humanas. Apesar de termos um entendimento razoável a respeito da inteligência, a pesquisa nessa área ainda está caminhando a passos curtos devido a alguns problemas, principalmente de cunho histórico, social e acadêmico. É o que foi discutido num editorial da revista Nature do mês passado, intitulado “ Intelligence r...

Por que nosso cérebro é tão grande?

Os animais de nossa ordem, os primatas, são dotados de um cérebro grande, especialmente no caso dos primatas antropóides (que são mais semelhantes ao homem), que são um ponto fora da linha, se analisarmos a relação entre peso total do corpo e peso do cérebro. Veja no gráfico a seguir, alguns primatas, como nós e os chimpanzés, possuem um cérebro desproporcionalmente grande, note também que alguns não-primatas, como os golfinhos, também tem um cérebro relativamente grande.   Roth & Dike, 2005 - A linha reta representa o tamanho cerebral esperado (Y) para o peso corporal (X). Note que animais como os chimpanzés e humanos estão acima da linha, ou seja, tem um cérebro desproporcionalmente grande em relação ao peso corporal. Mas a que se deve esse aumento no tamanho cerebral dos primatas, e principalmente, dos primatas antropóides? Os estudos iniciais na área sugerem que o aumento do cérebro primata se deve à fatores ecológicos como a dieta. Isto é condizente com ...

Você já ouviu falar em computação biológica?

Computação é um termo com um significado bem mais abrangente do que se imagina. Vai além de computadores, fios e circuitos eletrônicos com transistores. A computação é um processo universal, que ocorre, inclusive, em redes biológicas. Por exemplo, podemos imaginar um neurônio que recebe diversos “ inputs ”, e irá gerar um “ output ” específico após um evento de computação, onde o neurônio de alguma maneira integra todos os inputs e seu peso relativo e gera um output . No caso da maioria dos neurônios, que têm comportamento binário, ou seja, seu output sempre será 0 ou 1, já que a partir de um certo limiar, os neurônios sempre irão “disparar” emitindo potenciais de ação. Imagine o output como sendo 1 e, abaixo deste limiar, o output é sempre 0, ou seja, o neurônio dispara ou não dispara,  sem a possibilidade intermediária de um disparo menos intenso.             É interessante a convergência entre esse padrã...

Memórias e Engramas

A todo momento, estamos nos deparando com situações novas, percebendo diversos estímulos sensoriais, liberando hormônios e reagindo ao ambiente dinâmico em que vivemos. Para que nós (e outros animais) tenhamos a capacidade de ajustar o nosso comportamento ao ambiente de maneira adequada, é necessária a constante formação de memórias. Existe um complexo mecanismo neurobiológico que nos propicia o aprendizado, formação e a lembrança das memórias. Toda vez que se forma uma memória, há uma reorganização das conexões neuronais em determinadas regiões do cérebro, essa mudança na circuitaria neuronal é capaz de armazenar a informação correspondente à memória, e posteriormente, possibilitar a lembrança. Os cientistas que estudam memória normalmente utilizam o termo “engrama” para denominar esse conjunto de neurônios  que armazena uma determinada memória. Nessa visão, cada memória possui um engrama próprio, ou seja, um conjunto de neurônios que, quando ativado, permite que o indivídu...