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Mostrando postagens com o rótulo Neurociências

É possível alterar ou apagar uma memória?

Por: Pedro B. Marconi Pôster minimalista do filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças | Aut oria desconhecida. Fon te: https://br.pinterest.com/pin/206743439122485488/ A memória tem uma natureza dinâmica. Apesar de nossa forte tendência de vê-la como uma representação precisa de eventos do passado, os estudos científicos sugerem que memórias não são entidades tão fixas como pensamos e podem estar sujeitas a mudanças. O processo de formação de uma memória começa pela percepção de algum estímulo proveniente de uma experiência (poderíamos chamar também de percepção de uma “informação”), que será codificado pela ativação de determinados neurônios. A essa primeira etapa, damos o nome de aquisição . Assim, na aquisição ocorrerão mudanças físicas em neurônios do cérebro, formando um primeiro engrama e a chamada memória de curta duração, que pode então passar por processos fisiológicos que a estabilizarão e armazenarão no formato de uma memória de longa duração. A es...

De onde vem o medo das serpentes?

Indiana Jones: O personagem ofidiofóbico mais conhecido do cinema. O medo de serpentes, que é chamado de ofidiofobia, é um dos mais predominantes do mundo. E algumas teorias defendem que isto provavelmente ocorre por uma herança ancestral, de quando esses animais exibiam um risco real a nossa sobrevivência. Outra causa que pode ser citada para tentar explicar o medo, muitas vezes irracional, sobre serpentes são todas as lendas, mitos e preconceitos  que cercam elas. Sendo que nas principais culturas do mundo sempre há uma serpente envolvida na história.  Uma das mitologias mais conhecidas acerca de serpentes é a cristã que neste trecho deixa claro a aversão por esses animais: “Por meio dele, o amaldiçoado réptil que tentou a nossa venerada mãe Eva, exerce um fascínio inelutável sobre as vítimas que deseja capturar” (SANTOS,1994, p. 139).  Mas este medo não atinge unicamente os seres humanos. Diversos grupos de  primatas reagem com notável agilidade à pr...

Afinal de contas, a maconha mata neurônios?

A maconha, o baseado, a verdinha, ou como quiser chamar, é uma droga consumida pela nossa espécie há pelo menos 12.000 anos, os antigos chineses possuíam a planta em sua farmacopeia (conjunto de substâncias com uso terapêutico) há pelo menos 4.700 anos atrás . A maconha pode ser obtida da planta Cannabis sativa ou de sua “irmã”, chamada Cannabis indica, e consiste em folhas e flores secas que são fumadas ou ingeridas. A despeito dos efeitos visíveis amplamente conhecidos, como humor alterado, fome excessiva, ou “larica”, psicoses e relaxamento, seus efeitos sobre o sistema nervoso humano não são tão familiares para a população leiga, e são comuns os textos trazendo fatos suspeitos a respeito da maconha, tanto entre os defensores quanto entre os perseguidores da erva. Mas o que a ciência tem a nos dizer a respeito do tema?  O estudo dos componentes da maconha começou oficialmente em 1964, quando um grupo de pesquisadores de Israel, liderado pelo químico Raphael Mechoula...

Pesquisando a inteligência - não devemos temer o passado

  O que é inteligência? Você já parou realmente para pensar nisso? A maior parte do que nós sabemos sobre inteligência está errada. Esse é o consenso entre cientistas cognitivos que pesquisam sobre aspectos da inteligência humana e animal. A pesquisa e o ensino em inteligência devem ser reformulados para que possamos de fato entendê-la. A inteligência é definida no dicionário Aurélio como “ Conjunto de todas as faculdades intelectuais (memória, imaginação, juízo, raciocínio, abstração e concepção) .” Note que a definição engloba diversas habilidades cognitivas conhecidas, na psicologia, como funções executivas , que seriam atividades, por assim dizer, mais humanas. Apesar de termos um entendimento razoável a respeito da inteligência, a pesquisa nessa área ainda está caminhando a passos curtos devido a alguns problemas, principalmente de cunho histórico, social e acadêmico. É o que foi discutido num editorial da revista Nature do mês passado, intitulado “ Intelligence r...

Apaixonado? Seu cérebro pode estar diminuindo!

   Ahh, como é bom estar apaixonado! O amor é algo extremamente difundido na nossa sociedade e faz parte do nosso dia-a-dia, isso de diversas formas: desde livros românticos, comerciais apelativos, até mesmo quando observamos as pessoas à nossa volta. Vai dizer que não é extremamente nítido quando você encontra um casal apaixonado?!    O que talvez você não saiba, é que a paixão e o fato de estar num relacionamento romântico pode mexer, e muito, com o nosso cérebro. Sim, tenho certeza que você já notou que quando estamos nessa situação acabamos dando mais voz ao sentimento, deixando um pouco de lado a razão, agindo mais impulsivamente... a paixão bagunça a nossa cabeça. Mas você sabia que a paixão reduz o seu cérebro? Pois é verdade!      Um estudo realizado no Instituto Nacional de Ciências Fisiológicas do Japão recrutou 113 voluntários, que foram divididos em dois grupos: os que estavam em um relacionamento - 56 pessoas saudáveis, com idade...

Você já ouviu falar em computação biológica?

Computação é um termo com um significado bem mais abrangente do que se imagina. Vai além de computadores, fios e circuitos eletrônicos com transistores. A computação é um processo universal, que ocorre, inclusive, em redes biológicas. Por exemplo, podemos imaginar um neurônio que recebe diversos “ inputs ”, e irá gerar um “ output ” específico após um evento de computação, onde o neurônio de alguma maneira integra todos os inputs e seu peso relativo e gera um output . No caso da maioria dos neurônios, que têm comportamento binário, ou seja, seu output sempre será 0 ou 1, já que a partir de um certo limiar, os neurônios sempre irão “disparar” emitindo potenciais de ação. Imagine o output como sendo 1 e, abaixo deste limiar, o output é sempre 0, ou seja, o neurônio dispara ou não dispara,  sem a possibilidade intermediária de um disparo menos intenso.             É interessante a convergência entre esse padrã...

Memórias e Engramas

A todo momento, estamos nos deparando com situações novas, percebendo diversos estímulos sensoriais, liberando hormônios e reagindo ao ambiente dinâmico em que vivemos. Para que nós (e outros animais) tenhamos a capacidade de ajustar o nosso comportamento ao ambiente de maneira adequada, é necessária a constante formação de memórias. Existe um complexo mecanismo neurobiológico que nos propicia o aprendizado, formação e a lembrança das memórias. Toda vez que se forma uma memória, há uma reorganização das conexões neuronais em determinadas regiões do cérebro, essa mudança na circuitaria neuronal é capaz de armazenar a informação correspondente à memória, e posteriormente, possibilitar a lembrança. Os cientistas que estudam memória normalmente utilizam o termo “engrama” para denominar esse conjunto de neurônios  que armazena uma determinada memória. Nessa visão, cada memória possui um engrama próprio, ou seja, um conjunto de neurônios que, quando ativado, permite que o indivídu...