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Frio, resfriado, barba, cabelo e unha: alguns mitos biológicos.

O frio, diretamente, causa resfriados e/ou gripes? Cabelo e unhas continuam a crescer depois que as pessoas morrem? Aparar a barba faz ela crescer? Caro leitor, sabemos que você já se perguntou se tais histórias eram verdadeiras, sendo assim, vamos analisá-las biologicamente. Comecemos pela história do frio. Tecnicamente, o frio em si não faz alguém ficar doente, mas sim, facilita que vírus, que já se encontravam presentes no organismo, se proliferem. Dependendo do grupo específico desses vírus, pode-se desenvolver o tão querido resfriado ou a tão amada gripe. No inverno, tais enfermidades se tornam mais comuns devido a alguns fatores, tais como: as pessoas ficarem mais tempo em locais fechados e com maiores quantidades de gente; as fossas nasais ressecarem, dificultando o aporte de muco protetor às vias respiratórias; as respostas às infecções pelo sistema imune se tornarem mais dificultadas, devido à maior quantidade de energia que o organismo despende para se aquecer,...

As plantas também aprendem, do mesmo modo que você

Mudas recém-germinadas de ervilha aprendem por associação para decidir a melhor direção para crescer. A botânica tem sofrido uma revolução incrível nos últimos anos, pois uma nova perspectiva na maneira de enxergar e estudar as plantas tem sido adotada por um número cada vez maior de cientistas. Essa perspectiva sistêmica, ou seja, que aborda a planta não como um robozinho automático — que responde à luz crescendo para cima, ou responde à gravidade lançando suas raízes para baixo —, e sim como um organismo complexo onde suas várias partes interagem e se correspondem, de modo que a planta passou a ser vista como um sistema integrado a nível celular, tecidual e como organismo. Graças a esta abordagem muito mais atenciosa, começou-se a entender que as plantas também possuem comportamentos até então inimagináveis, como capacidades geralmente associadas a animais, tais como perceber o ambiente com sentidos análogos aos nossos, como a audição , por exemplo, e outros mais, elaborar...

Mas eu posso tocar?

Essa é uma das frases mais usadas quando encontramos algum animal silvestre fofo ou interessante. Claro que para animais domésticos, essa pergunta é mais rara, geralmente já passamos a mão e pronto. Somos seres emotivos, muitas vezes sentimos a necessidade ao toque, dar um abraço, fazer um carinho quando estamos felizes ou curiosos. Contudo, quando nos referimos a animais silvestres, principalmente quando não são mamíferos, as coisas podem ser um pouco diferentes. Essa sensação boa que sentimos ao tocar, nem sempre é tão boa para eles, e pior, muitas vezes pode ser estressante. E como vou saber se está sendo um incômodo para o bichinho? Bem, essa não é uma pergunta muito fácil de responder, pois muitos não têm expressões faciais, como aves, tartarugas, coelho, entre outros... Reparem como nós humanos, temos uma afinidade maior com os animais que conseguimos compreender suas emoções, ou seja, geralmente quando elas são parecidas com a nossa. Quando nos referirmos à megaf...

Regra dos 5...10...20 segundos? Aliás, quantos segundos a gente pode mesmo?

Você já ouviu falar na regra dos 5 segundos? Certamente não apenas ouviu falar das suas propriedades miraculosas como também já a aplicou várias vezes na sua vida cotidiana. Quando a fome é grande ou a pressa nos obriga a certas situações, a última coisa que você vai querer na sua vida é a sua preciosa comida quentinha recém tirada do microondas ou  até mesmo aquele chocolate que você estava guardando pra comer logo depois na madruga caídos no chão da cozinha bem no lugar onde você não passou o aspirador.  O que fazer nessa situação tão desesperadora? O que aprendemos, como um tipo de ritual que se passa de geração para geração, é recolher a comida dentro de 5 segundos. Se conseguirmos fazer isso: tudo certo, pode comer! Mas, se alguns segundos ultrapassam o limite: pode jogar fora, as bactérias venceram. O problema é que, ao contrário do que muitos pensam, essa atitude que tanto repetimos pode não ser tão segura quanto parece. Em uma série de estudos coordenados ...

Reprodução sem sexo: quando o macho não é mais necessário(!)?

   Está aí uma estratégia interessante de perpetuar o seu DNA para as próximas gerações, mesmo na ausência de parceiro sexual. Provavelmente o leitor saiba que abelhas podem fazer isso. Esse é o caso mais emblemático da denominada: partenogênese (do grego, significa nascimento de virgem), que seria a geração de uma prole sem fertilização e a partir de um único óvulo. Em abelhas, ovos fecundados (entende-se como aqueles onde ocorre o encontro dos gametas femininos e masculinos) tornam-se operárias ou novas rainhas, essas últimas se tornam diferentes das primeiras por receber uma nutrição diferenciada conhecida, popularmente, por geleia real. Por outro lado, os ovos não fecundados tornam-se, por partenogênese, zangões haploides (metade do genoma) somente. Ah, e tem gente que não acredita em geração espontânea (vide link1 e link2 )...Isso é tema para um outro debate, mas até é, de certo modo, uma “geração espontânea”!!!    A partenogênese é muito comum em plantas...

Até onde vai a Engenharia Genética? A revolução da CRISPR-Cas9

Por: Pedro B. Marconi  Os produtos ou seres orgânicos em que a mão da engenharia genética tocou já estão em todo lugar ao nosso redor e mesmo que você não saiba é inevitável não conviver com eles. Por milhares de anos nós temos usado engenharia genética em nosso benefício). Como na seleção artificial, em que fortalecemos traços úteis (para nós) de plantas e animais, é assim que são criadas frutas mais gostosas e também as várias raças de cachorros cada vez mais ‘’fofos’’ (e também com mais problemas de saúde). Somos muito bons nessa técnica, mas só descobrimos como ela funcionava de verdade com a descoberta do DNA (ácido desoxirribonucleico). Foi logo após conhecermos melhor essa molécula (meados da década de 60) que os seres humanos já tentaram manipulá-la. Inicialmente com radiação para causar mutações aleatórias e depois com material genético de bactérias inseridos em microrganismos, plantas e animais. Os animais geneticamente modificados mais antigos nasceram em 1974, fa...

Para ser cientista preciso estudar filosofia e história da ciência?

Qual seria o interesse de um pesquisador em filosofia e história da ciência? Por que ele precisa estudar isso? Quais seriam os argumentos que corroboram a necessidade do estudo destas duas áreas do conhecimento? Acredito que essas sejam questões muito importantes para serem respondidas e que muitos acadêmicos e estudantes costumam respondê-la de maneira equivocada. Neste ensaio vamos buscar refletir sobre certas questões e tentar demonstrar como essas áreas são fundamentais para a formação tanto do biólogo como de outros profissionais. Para começar essa abordagem sobre o tema, gostaria de lembrar de um dos grandes pensadores do século XVII: René Descartes. Filósofo, físico e matemático, foi importantíssimo no desenvolvimento do pensamento científico da época, tendo grande participação na chamada Revolução Científica,  assim como outros grandes representantes, Newton e Galileu, por exemplo. René comparava toda a filosofia com uma árvore, onde suas raízes seriam a metafísi...