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Cinquenta Tons do Sexo: Quando o binário dá lugar ao amplo espectro sexual

“ A ideia de dois sexos é simplista. Biólogos agora acham que há um maior espectro que esse.” As categorias de macho (XY) e fêmea (XX), antes encaradas como bem definidas e opostas, estão sendo colocadas à prova. Isso porque estudos recentes tornaram cada vez mais complexas as relações entre essas categorias. E esses estudos aumentam ano a ano, principalmente pelo advento das tecnologias do DNA e da modernização das técnicas moleculares, as quais possibilitam maior acesso e análises dos genomas. A seguir, exponho alguns estudos realizados nos últimos anos que mostraram o quão complexa é a categoria do sexo e como a biologia pode (e deve!) contribuir para seu entendimento.  “Colcha de retalhos” celular A ideia de que todas as células de um indivíduo do sexo masculino são XY e todas as do sexo feminino são XX, agora divide espaço com uma visão dos indivíduos enquanto verdadeiras “colchas de retalhos” quanto ao sexo de suas células. Isso quer dizer que algumas pessoas ...

Importância das bromélias para a biodiversidade

Anfíbio nas folhas da bromélia / Paulo Roberto Corte A família Bromeliaceae, das bromélias, é constituída por cerca de 1.500 espécies, podendo ser epífitas (vivem sobre outras plantas sem causar prejuízo), terrestres ou, ainda, viver sobre rochas, sendo o seu habitat principalmente a Mata Atlântica. Mas um fato que poucas pessoas sabem é que as bromélias, além de possuírem uma importância econômica, tanto para a ornamentação como para uso alimentício (um exemplo é o abacaxi), são importantes para a biodiversidade do meio ambiente. Essas plantas possuem cisternas onde ocorre o acúmulo de água no seu interior, podendo armazenar até litros em certas espécies! O armazenamento é importante já que traz resíduos orgânicos com nutrientes e poeira que garantem a nutrição da planta e formam um ambiente ideal para a sobrevivência de diversos organismos vivos. Geralmente as espécies dessa família apresentam um aspecto que se destaca com flores coloridas, atraindo diversos polinizado...

De onde vem o medo das serpentes?

Indiana Jones: O personagem ofidiofóbico mais conhecido do cinema. O medo de serpentes, que é chamado de ofidiofobia, é um dos mais predominantes do mundo. E algumas teorias defendem que isto provavelmente ocorre por uma herança ancestral, de quando esses animais exibiam um risco real a nossa sobrevivência. Outra causa que pode ser citada para tentar explicar o medo, muitas vezes irracional, sobre serpentes são todas as lendas, mitos e preconceitos  que cercam elas. Sendo que nas principais culturas do mundo sempre há uma serpente envolvida na história.  Uma das mitologias mais conhecidas acerca de serpentes é a cristã que neste trecho deixa claro a aversão por esses animais: “Por meio dele, o amaldiçoado réptil que tentou a nossa venerada mãe Eva, exerce um fascínio inelutável sobre as vítimas que deseja capturar” (SANTOS,1994, p. 139).  Mas este medo não atinge unicamente os seres humanos. Diversos grupos de  primatas reagem com notável agilidade à pr...

E a China já está editando o DNA de muitos humanos

Por: Pedro B. Marconi Cientista jogando “Jenga” da vida real ao testar precipitadamente a técnica CRISPR-Cas9 em humanos.  l  Fonte: https://ideas.ted.com/the-promising-and-perilous-science-of-gene-editing/ Você se lembra do que já comentamos aqui no Sporum sobre a ferramenta de edição genética “CRISPR-Cas9”? Ela que promete revolucionar o tratamento de doenças e muitas outras coisas na breve vida dos humanos (Recomendo fortemente a leitura do link anterior caso você ainda não conheça sobre ela, ou então assista antes este lindo vídeo do Nerdologia sobre o assunto, para você não moscar nesse texto aqui). Pois bem, também já deve ter ouvido falar que enquanto você aprende a regra de três na escola aqui, tem um asiático da mesma idade terminando seu doutorado no outro lado do mundo, né. Porém nem sempre essa pressa é a melhor coisa  e tem sido uma preocupação na China. Segundo uma investigação do Wall Street Journal , a edição de genes com CRISPR t...

O dia em que a Ciência forçou pássaros a assistirem TV

Ilustração de chapim-real ( Parus major ) | Autor: Basil Ede Muitos dos animais impalatáveis (ou seja, que possuem um sabor muito ruim), tóxicos, peçonhentos ou venenosos possuem cores fortes e vibrantes, associadas muitas vezes com os padrões de manchas e listras pelo corpo que chamam a nossa atenção pela beleza exuberante. Engana-se, entretanto, quem pensa que esses animais andem por aí exibindo suas cores e desenhos com a ingênua intenção de que sua arte seja apreciada. Seus corpos indiscretos fazem parte de uma grande campanha publicitária para que predadores em potencial fiquem longe e não ousem se alimentar deles. Esse padrão de cores de alerta recebe um nome grande e feio: coloração aposemática , enquanto a estratégia em si é chamada de aposematismo . Um polvo-de-anéis-azuis (gênero Hapalochlaena ) com sua característica coloração aposemática. A quantidade de veneno dessa criaturinha simpática é o suficiente para matar mais de 20 seres humanos em poucos minutos | Auto...

Vírus compartilham genes com organismos de toda árvore da vida

Representação das trocas genéticas entre os grandes grupos de seres vivos | Julie McMahon       Um novo estudo publicado na revista Frontiers in Microbiology revelou que os vírus compartilham seus genes através de toda árvore da vida, desde microrganismos unicelulares conhecidos como bactérias e archaeas, até os eucariotos, grupo que inclui os seres vivos mais conhecidos como os animais, plantas e fungos. Esta descoberta é relevante pois reforça a importância dos vírus como agentes de diversidade biológica e também como “causadores” da evolução. Vírus são seres que, em sua maioria, não conseguem se reproduzir sozinhos, precisando assim da maquinaria celular de um ser vivo para fazer cópias de seu material genético, o que os caracteriza como parasitas intracelulares obrigatórios. Por isso, os vírus são classicamente organizados de acordo com seus hospedeiros em: archaeovírus, bacteriovírus e eucariovírus, sendo esses grupos respectivamente vírus de archa...

Afinal de contas, a maconha mata neurônios?

A maconha, o baseado, a verdinha, ou como quiser chamar, é uma droga consumida pela nossa espécie há pelo menos 12.000 anos, os antigos chineses possuíam a planta em sua farmacopeia (conjunto de substâncias com uso terapêutico) há pelo menos 4.700 anos atrás . A maconha pode ser obtida da planta Cannabis sativa ou de sua “irmã”, chamada Cannabis indica, e consiste em folhas e flores secas que são fumadas ou ingeridas. A despeito dos efeitos visíveis amplamente conhecidos, como humor alterado, fome excessiva, ou “larica”, psicoses e relaxamento, seus efeitos sobre o sistema nervoso humano não são tão familiares para a população leiga, e são comuns os textos trazendo fatos suspeitos a respeito da maconha, tanto entre os defensores quanto entre os perseguidores da erva. Mas o que a ciência tem a nos dizer a respeito do tema?  O estudo dos componentes da maconha começou oficialmente em 1964, quando um grupo de pesquisadores de Israel, liderado pelo químico Raphael Mechoula...